Na Mídia

JORNAIS E REVISTAS

Voltar

01/mar/2012

Overtraining, uma nova visão

Um dos problemas de mais difícil resolução quando se planeja um programa de exercícios físicos é a prescrição da intensidade ideal. Torna-se necessária a monitoração adequada, de modo a assegurar que a intensidade prescrita não será excessiva, como descrito no Guidelines for Excercise Testing and Prescription do American College of Sports Medicine (1995). Portanto, deve haver um constante e preciso controle da aplicação das cargas de treinamento.
As dificuldades no controle preciso das cargas de trabalho individualizadas ou mesmo o entusiasmo de obter maiores marcas têm conduzido, com freqüência, a um indesejável estresse fisiológico excessivo. O desgaste causado pelo excesso de exercício físico ou pela sobrecarga excessiva no treinamento é constantemente alvo de discussões na comunidade científica e nos meios de comunicação, especialmente quando diz respeito a atletas profissionais e olímpicos. Esses, na sua maioria, adquirem ao longo de suas carreiras, lesões e patologias crônicas, principalmente lesões no sistema musculoesquelético – o que já vem sendo relatado há mais de 20 anos por Armstrong (1990) e Garrett (1990), Herromg (1990) e Kibler (1990).
Há 26 anos Nilsson (1986) relatou que o sobretreinamento estava sendo um fenômeno comum nos vários esportes. Stone (1990) também já acrescentava que: “considerando como o efeito de uma sobrecarga crônica, os sintomas incluem perda de performance, fadiga crônica, manifestações psicológicas de irritabilidade, hostilidade, oscilação no humor, insônia, falta de apetite, perda de peso, diminuição da massa corporal magra, redução dos estoques de glicogênio, disfunção endócrina, depressão do sistema imunológico, manifestações cardiovasculares e aumento do índice de lesões musculoesqueléticas”.
Então porque isso ainda continua a acontecer nos treinamentos e exercícios físicos praticados nos dias de hoje?
A resposta é simples: os controles das cargas de trabalho não estão sendo nem constantes e nem precisos em relação às células que constituem os diversos tecidos dos vários órgãos do corpo. O estresse excessivo é “excessivo” em relação à capacidade das células de suportarem esse estresse. Essa capacidade está diretamente ligada à quantidade de glicose e micro nutrientes que a célula está recebendo para, junto com o repouso e a hidratação, poder adaptar-se aos estímulos recebidos. Ainda há outros fatores como o índice anabólico, índice de cetose, dentre outros, que serão discutidos nas próximas edições.
Os sintomas do overtraining relatados por Stone (1990), quando apareciam em uma intensidade que permitiam ser detectados (como sinais e sintomas usados pelos médicos e profissionais da saúde), as lesões já estavam instaladas, ou seja, milhares de células já haviam sido lesionadas. Dessa forma, a recuperação exigia um tempo muito maior, comprometendo a performance e a técnica dos atletas.
No preparo de combatentes militares acontecia o mesmo. Só que os combatentes têm que estar prontos para a ação. Foi então que em 1984, na Força Aérea Brasileira, começamos a desenvolver estudos tendo como base as observações trazidas da Marinha de Guerra do Brasil de 1975 a 1979 e os ensaios realizados na própria Força Aérea.
O estudo realizado em um grande número de indivíduos submetidos a exercícios físicos extenuantes e em grupos controle permitiu-nos visualizar uma série de alterações nas células dos diversos órgãos do corpo e como as intensidades dessas alterações variavam com a existência ou não de outras intercorrências, tais como: focos inflamatórios, viroses – mesmo que ainda sem sintomas (subclínicos)-, anemias, alterações hormonais, alterações hepáticas, renais e de todos os órgãos de maneira geral.
Desse modo, tivemos que criar um sistema de diagnóstico que pudesse não só analisar o sofrimento dos músculos ou dos ossos, mas também de todos os demais órgãos envolvidos no processo adaptativo das células aos treinamentos físicos. Além disso, o sistema tinha que informar com bastante antecedência, qual era a quantidade ideal de estímulo para cada pessoa em cada fase de treinamento.
A grande quantidade de análises sanguíneas utilizadas e os milhares de cálculos matemáticos das inter-relações entre as análises, nutrição e estímulos, além de diversas outras inter-relações, fez com que propuséssemos modelos de avaliações bioquímico-hematológicas específicos. Esses modelos processam os cálculos por softwares de Redes Neurais Artificiais de Retropropagação (ReNAR), capazes de interpretar variações fisiológicas com bastante antecedência à incidência de lesões, e fornecer dados para o reequilíbrio orgânico, proporcional à sobrecarga dos treinamentos praticados.
Sendo assim, o método permite que os controles das cargas de trabalho sejam constantes e precisos, prevenindo o estresse excessivo e evitando o overtraining.
Esse sistema de análise celular preventiva pode ainda, ajudar a integrar os trabalhos profissionais das equipes de saúde e atividade física e atletas, com objetivo de manutenção da saúde e performance, de uma maneira precisa e real,tendo como base um grande instrumento de ajustes no equilíbrio entre treinamento e recuperação orgânica.
A prevenção e a manutenção da saúde são as chaves para economia orgânica e sustentabilidade dos atletas em suas atividades de forma saudável e duradoura.

 

Fonte: Revista Tri Sport Edição 114 – Março de 2012.

Voltar