19/abr/2001
Botafogo descobre o mapa da mina
Clube usa bioquímica do sangue para mapear organismo de cada jogador.
O botafogo pode andar sem dinheiro, mas sua comissão técnica está disposta a investir cada vez mais na tecnologia de ponta. Seguindo os passos da NASA e da Aeronáutica, o departamento médico, chefiado por Joaquim da Mata, concluiu que a bioquímica do sangue é o caminho a seguir para se manter um time saudável. E desde 1999 adotou um projeto, pilotado pelo fisiologista Altamiro Bottino, que vem fazendo um mapeamento do organismo de cada jogador.
É um método de análises bioquímicas e hematológicas tão perfeitas que o caso do lateral-esquerdo Leandro explica bem. Há tempos, notávamos que na volta das férias
Ele apresentava variações no exame de sangue. Soubemos que a família dele também apresentava esses sintomas pesquisamos e descobrimos que eles moram no raio de cem metros de uma das torres de distribuição de energia em Perdões interior de Minas. A bioquímica do sangue mostrou que o campo magnético alterava as taxas dos componentes sanguíneos – explica Altamiro Bottino.
O método vem sendo desenvolvido desde 1984 pelo major farmacêutico-bioquímico Alexandre Cosendey do Núcleo do Instituto de Ciências da Atividade Física da Aeronáutica (Nuicaf), que tem laboratório montado no Barra Plaza. Por cada exame o Botafogo para R$350 Júnior, Taílson, Rodrigo, Valdson, Donizete, bruno, entre outros, são alguns dos monitorados.
O monitoramento diagnóstica os efeitos de treinos e jogos no organismo de cada um. Assim, avaliamos os níveis de condicionamento físico, de estresse, sabemos se o jogador está exagerando no consumo de carnes ou de bebidas alcoólicas. Também detecta uso de drogas, embora não revele qual a substância encontrada. A gente fica sabendo até se o jogador fuma ou como têm sido suas noites de sono.
Altamiro conta mais casos:
– O exame de um zagueiro que jogou aqui mostrou que ele estava exagerando nas carnes. Dei um aperto e ele confessou: “Sou patrocinado por uma churrascaria e só almoço e janto lá”. O ideal seria fazer seis exames por ano em cada um.O nadador Fernando Scherer só melhorou rendimento nos treinos depois que descobriram, através desse exame, que ele ficava letárgico após as refeições. Espaçando as refeições dos treinos, o problema deixou de existir.
De pode improvisar Augusto contra o Fluminense.
Letargia é o que Dé não quer no time do Botafogo. Ontem, em mais um treinamento puxado ele dirigiu um coletivo em que gritou muito em especial com o lateral-esquerdo Leandro. Defensor do futebol arte, pediu marcações em cima mas sem violência. O lateral esquerdo Augusto pode ser escalado contra o Fluminense como meio-campo.
Wagner deve continuar fora. Ele é uma das atrações que o Botafogo levará para o amistoso em Ulsan, na Coréia dôo Sul, dia 28 deste mês.
Reportagem: Márcio Tavares
Fonte: Jornal O Globo – Caderno dos Esportes. Data: 19/04/2001.