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Índice de Estresse Muscular:

12/jun/2012

Reescrito a partir do original:

O ÍNDICE DE ESTRESSE MUSCULAR: UMA PROPOSTA PARA A QUANTIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO DA SOBRECARGA LOCALIZADA NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA

FIEP BULLETIN Volume 76 – Special Edition – Article I – 2006

Quem lesionar menos músculos chega primeiro!…

Tanto no campo esportivo como nas atividades laborais cotidianas, as pessoas exigem a todo instante algum nível de trabalho por parte de sua musculatura voluntária. Se essa exigência for demasiadamente forte para a capacidade adaptativa do músculo solicitado, surgirão indícios de que está havendo algum tipo de incompatibilidade entre a carga aplicada e as possibilidades do músculo nela envolvido, de suportá-la impunemente.

Comumente, somente após sentir os sintomas de que algo não anda bem com algum músculo é que os indivíduos procuram tomar providências para evitar um agravamento do problema.

Entretanto, quando surgem os sintomas as lesões já estão instaladas em um grau de gravidade que, em não raras oportunidades, obriga as pessoas a deixarem de utilizar regularmente aquela musculatura. Ou seja, ficam impedidas de realizar movimentos que podem ser de suma importância para seus desempenhos na vida.

É muito importante, portanto, que se possa detectar o quanto antes qualquer mínimo indício de excessivo estresse muscular, de maneira que seja possível evitar que uma lesão, ainda incipiente, atinja um estado de maior gravidade e que fatalmente requererá medidas mais drásticas e impeditivas da continuidade da performance normal cotidiana.

Todavia, esta detecção não é muito fácil de ser realizada quando se empregam os meios tradicionais, como os clássicos testes de provas funcionais da musculatura, pois quando uma destas avaliações identifica uma perda de rendimento funcional, o problema já existe em estado adiantado.

…O músculo, como todos os outros órgãos do nosso corpo, é feito de células…

Considerando que quando um músculo é utilizado em um patamar capaz de estimular processos adaptativos ocorrem, nas suas células,entre outras, alterações bioquímicas e hematológicas, enzimáticas e não enzimáticas, que podem ser observadas por meio de análises bioquímico-hematológicas, os exames clínicos despontam como um instrumento refinado que pode contribuir efetivamente para o controle do estresse muscular.

…Só que para interpretar os resultados desses exames laboratoriais são necessários muito mais estudos do que parece…

Por esse motivo, iniciamos uma pesquisa “do que é normal para quem gosta de exercícios fortes…”

Esta pesquisa teve por finalidade a obtenção de uma escala de referência para a categorização do nível de estresse muscular apresentado por homens e mulheres, a partir do modelo de Cosendey (1997), conhecido como “Monitoração Bioquímico-hematológica do Condicionamento Físico” (MBHCF)®.

O estudo baseou-se em um banco de dados composto por 1037 casos, sendo 460 atletas (305 homens e 155 mulheres), 530 não-atletas (290 homens e 240 mulheres) e 77775 análises efetuadas durante um período de cinco anos no Laboratório de Bioquímica do Esporte, no Rio de Janeiro.

…Quando certificamos que um instrumento está medindo corretamente o que ele se destina a medir, dizemos que ele tem validade interna…

Para que fosse possível aferir a validade interna das variáveis (exames) que mais especificamente são influenciadas pelo estresse muscular, as relações entre 75 delas, sendo 56 bioquímicas e 19 hematológicas, indicativas do comportamento fisiológico do organismo foram quantificadas e transformadas em um índice numérico, representativo do grau de estresse imposto à musculatura de uma pessoa em determinada época.

Trata-se de uma representação numérica adimensional (que não tem unidade de referência), que foi designada como “Índice de Estresse Muscular” (I.E.M.) e cuja faixa de normalidade foi definida para quatro diferentes categorias de indivíduos: homens atletas, mulheres atletas, homens não-atletas e mulheres não-atletas.

…Exames de sangue feitos com um protocolo próprio…

As variáveis consideradas quanto às suas dosagens no sangue dos indivíduos que compuseram a amostra para a quantificação do estresse muscular foram: Glicose, Uréia, Creatinina, Colesterol, Col. HDL, Col. LDL, Triglicerídios, Ácido úrico, TGO, TGP, GGT, Fosfatase Alcalina, CK-NAC, CK-mb, LDH, Cálcio, Fósforo, Ferro, Bilirrubina total, Bilirrubina direta, Bilirrubina indireta, Proteína total, Albumina, Globulina, Leucometria, Hematimetria, Hemoglobina, Hematócrito, VCM, HCM, CHCM, RDW, Plaquetócrito, PDW, Linfócito, Monócito, Granulócito, Eosinófilo, Segmentados, Bastão, Basófilo, LDH isoenzima 1, LDH isoenzima 2, LDH isoenzima 3, LDH isoenzima 4, LDH isoenzima 5, Fosfatase alcalina (isoenzima hepática), Fosfatase alcalina (isoenzima óssea), Fosfatase alcalina (fração intestinal), Ácido fólico, Vitamina B12, Vitamina C, Vitamina B6, Vitamina A, Vitamina E, Ácido vanilmandélico, Adrenalina, Calcitonina, Cortisol, Cortisol livre, Ferritina, Hemoglobina Glicosilada, Homocisteína, Osteoclacina, Radicais livres, Superóxido dismutase, T3 livre, T3 total, T4 total, T4 livre, Transferrina, TSH e Troponina I.

Além destas, foram ainda consideradas informações originárias de anamneses, de inventários nutricionais, de diários de treinamento (quando era o caso) e de hábitos de vida.

Cada uma das variáveis foi estudada quanto à importância de sua participação no montante de estresse muscular individual e recebeu um respectivo peso no processo de avaliação. Foram, então, deduzidas equações determinantes do nível de estresse muscular.

…Mas o atleta precisa ver e entender o que se passa. Por isso os gráficos…

Numa segunda fase, para que o indicador do estresse muscular pudesse ser comparado entre diferentes indivíduos e ainda pudesse ser inserido em gráficos comparativos do estresse em diferentes componentes do organismo, tais como os ossos, o fígado e os rins, os valores numéricos resultantes das primeiras equações foram convertidos em percentuais da possibilidade máxima e normalizados, permitindo a visualização gráfica do posicionamento individual em relação a uma faixa ideal recomendável.

…Depois de muita pesquisa e validações com métodos de imagem entre outros, saíram os resultados…

Assim, ficou estabelecido que o Índice de Estresse Muscular (I.E.M.) pode variar numa amplitude desde o nível 44 até o nível máximo de 18402, que foi observado em atletas submetidos a treinamentos extenuantes.

As faixas ideais calculadas foram aquelas compreendidas entre os valores de 150 a 210 para atletas do sexo masculino e de 138 a 193 para atletas do sexo feminino. Para não-atletas ou pessoas que não praticam exercícios sistemáticos as faixas ideais situaram-se entre 110 e 170 para homens e entre 101 e 156 para mulheres.

O I.E.M. ideal varia de indivíduo para indivíduo e, em um mesmo indivíduo, com cada fase de treinamento. É também influenciado por: medicações; produtos químicos dietéticos; qualidade, quantidade e horários de assimilação de nutrientes, hidratantes e repouso; presença de patologias, presença de desequilíbrios bioquímicos, além de outros fatores.

As figuras 1 e 2 mostram resultados de monitorações bioquímico-hematológicas, com a clara visualização das situações individuais que o I.E.M. permite para uma fácil interpretação durante toda uma temporada de treinamento.

Em estudo ainda não publicado, realizado no Laboratório de Bioquímica do Esporte e abrangendo cinco anos de acompanhamento diário, tem sido observado, comparativamente com análises de imagens por Ressonância Nuclear Magnética que, somente apareceu resultado positivo no diagnóstico de imagem, quando o I.E.M ultrapassou o nível 800 (oitocentos) na escala relatada.

E quem quer lesionar menos para correr mais… Recomendações…

A partir dos resultados obtidos no estudo, ficou evidente que a adoção de um índice de estresse muscular permite detectar e acompanhar melhor a condição física de qualquer pessoa, seja ela atleta ou não, fornecendo um dado quantitativo confiável e de grande praticidade para a preservação da saúde e da qualidade de performance individual, finalidades maiores da MBHCF®.

Recomenda-se, contudo, que prossigam as pesquisas para um refinamento sempre crescente da quantificação em pauta, pois quanto mais preciso for este instrumento, maiores serão os benefícios que dele poderão ser auferidos.

E quem quer lesionar menos para correr mais… Recomendações…

A partir dos resultados obtidos no estudo, ficou evidente que a adoção de um índice de estresse muscular permite detectar e acompanhar melhor a condição física de qualquer pessoa, seja ela atleta ou não, fornecendo um dado quantitativo confiável e de grande praticidade para a preservação da saúde e da qualidade de performance individual, finalidades maiores da MBHCF®.

Recomenda-se, contudo, que prossigam as pesquisas para um refinamento sempre crescente da quantificação em pauta, pois quanto mais preciso for este instrumento, maiores serão os benefícios que dele poderão ser auferidos.

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